Brasil supera média global de vacinação contra HPV em meninas, mas busca ampliar cobertura em jovens

Brasil avança na vacinação contra HPV em crianças, superando a média global. Campanha busca ampliar cobertura entre adolescentes mais velhos.
Projeto ensina estudantes a identificar informações falsas sobre vacina HPV. Jornalista Gracielly Bittencourt, idealizadora do projeto “Conhecimento é vacina para a desinformação”. Foto: Cleiton Freitas
Projeto ensina estudantes a identificar informações falsas sobre vacina HPV. Jornalista Gracielly Bittencourt, idealizadora do projeto “Conhecimento é vacina para a desinformação”. Foto: Cleiton Freitas

Vacinação HPV Brasil alcançou um patamar notável, superando a média global de imunização contra o Papilomavírus Humano (HPV), um vírus associado a diversos tipos de câncer, incluindo o de colo do útero. Os dados do Ministério da Saúde revelam que a cobertura vacinal em meninas de 9 a 14 anos atingiu 82%, contrastando com a média mundial de apenas 12%.

Brasil Ultrapassa Média Global na Imunização Contra HPV

O Brasil tem se destacado no cenário global da saúde pública ao superar a média mundial de vacinação contra o HPV. Em 2022, a cobertura vacinal no país já demonstrava um bom desempenho, situando-se em pouco mais de 78%. Esse avanço é parte do compromisso do Brasil com a Organização Mundial da Saúde (OMS), que estabeleceu a meta de alcançar 90% de cobertura até 2030, um passo crucial para a erradicação do câncer de colo do útero. O Ministério da Saúde tem implementado diversas estratégias para impulsionar a vacinação, incluindo a expansão do público-alvo e campanhas de resgate vacinal.

Ampliação do Público-Alvo e Estratégias de Vacinação

Além de intensificar a vacinação entre as meninas de 9 a 14 anos, o Brasil adotou a estratégia de incluir os meninos no público-alvo da vacina contra o HPV. A cobertura vacinal entre os meninos apresentou um aumento significativo, saltando de 45,46% para 67,26% em um período de dois anos. Essa ampliação do público-alvo é fundamental para garantir a proteção de um número maior de pessoas contra o vírus e reduzir a incidência de doenças relacionadas ao HPV.

Outra estratégia implementada pelo Ministério da Saúde é o chamado resgate vacinal. Em 2024, foi identificado que o Brasil possuía cerca de 7 milhões de adolescentes de 15 a 19 anos que não haviam se vacinado contra o HPV. Em resposta a essa situação, o Ministério lançou uma campanha em fevereiro de 2025, priorizando a vacinação de 2,95 milhões de adolescentes em 121 municípios com as maiores proporções de jovens não protegidos. No entanto, até o dia 21 de junho de 2024, apenas cerca de 106 mil jovens de 15 a 19 anos foram vacinados.

Estados como São Paulo e Rio de Janeiro, que apresentam um grande número de não vacinados, começaram a adotar a estratégia de resgate vacinal neste mês, o que, segundo o Ministério da Saúde, deve ampliar a adesão nas próximas semanas. No Rio de Janeiro, estima-se que existam 520 mil pessoas nessa faixa etária que ainda não foram vacinadas.

Preocupações e Desafios na Vacinação HPV Brasil

A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) manifestou preocupação com o baixo número de jovens de 15 a 19 anos vacinados, destacando a importância de intensificar os esforços para aumentar a cobertura vacinal nessa faixa etária. Juarez Cunha, especialista em pediatria e diretor da SBIm, atribui a baixa adesão à “falta de informação para a população”.

Cunha enfatiza a necessidade de utilizar mecanismos e ferramentas de comunicação que alcancem os jovens, transmitindo a mensagem de que a vacina pode evitar doenças graves, como o câncer de colo do útero. Ele ressalta a importância de reforçar a confiança na vacina, nos profissionais de saúde e nas instituições para combater a hesitação vacinal. A complacência com doenças que as pessoas não conhecem ou não consideram relevantes também é apontada como um fator de hesitação.

Dados de uma pesquisa da Fundação do Câncer revelam que entre 26% e 37% dos jovens consultados não sabiam que a vacina contra HPV previne contra o câncer de colo do útero. Entre os adultos responsáveis, o percentual era de 17%.

A importância da Vacinação HPV Brasil

O HPV é responsável por praticamente todos (99%) os casos de câncer de colo de útero, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca). Para cada ano do triênio 2023-2025, foram estimados 17 mil novos casos dessa doença no Brasil. Além do câncer de colo do útero, o vírus também pode causar outros tipos de câncer, tanto em homens quanto em mulheres.

A vacina contra o HPV é mais eficaz quando administrada antes do início da vida sexual, o que justifica a faixa etária de vacinação de rotina entre 9 e 14 anos. Ao proteger contra o vírus, a vacina previne diferentes tipos de câncer ligados ao HPV, como colo do útero, ânus, pênis, garganta e pescoço, além de verrugas genitais.

Desde 2014, o Sistema Único de Saúde (SUS) distribuiu mais de 75 milhões de doses da vacina. Em 2024, a imunização passou a ser realizada em dose única, facilitando o acesso à proteção.

Parcerias e Perspectivas Futuras

A vacinação HPV Brasil e o enfrentamento do HPV serão temas abordados na Jornada Nacional de Imunizações, evento da SBIm que reunirá especialistas em São Paulo. O Ministério da Saúde tem reforçado parcerias com sociedades científicas, organizações não governamentais e o Ministério da Educação, com ações como vacinação em escolas, campanhas educativas e combate à desinformação. Em julho, foi sancionada a lei que cria a Política Nacional para Enfrentamento do HPV, um conjunto de medidas de saúde pública voltadas à prevenção, detecção e tratamento do Papilomavírus Humano.

Fonte Agencia Brasil

Cacerense

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