Lula defende ampliação do comércio com Equador e prioridade nas relações sul-americanas

Em Brasília, Lula reafirma prioridade nas relações com a América do Sul durante encontro com o presidente equatoriano, Daniel Noboa. Acordos foram firmados.
Brasília (DF), 18/08/2025 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe o presidente do Equador, Daniel Noboa, no Palácio do Planalto. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Brasília (DF), 18/08/2025 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe o presidente do Equador, Daniel Noboa, no Palácio do Planalto. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Relações Brasil Equador foram tema central do encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente equatoriano Daniel Noboa, nesta segunda-feira (18), em Brasília. Lula defendeu a ampliação do comércio bilateral e reiterou que as relações com os países da América do Sul são uma prioridade para o governo brasileiro. A reunião resultou em anúncios importantes e na assinatura de acordos em áreas como segurança alimentar, inteligência artificial e agricultura familiar.

Em declaração à imprensa após o encontro, Lula destacou a importância da diversificação das parcerias em um cenário global complexo. “Em um cenário global desafiador, em que rivalidades se agravam e instituições multilaterais são esvaziadas, é preciso firmeza na defesa da nossa independência. Para o Brasil, a autonomia é um sinônimo de diversificação de parcerias. Os laços com o Equador e com os demais vizinhos sul-americanos são prioridades para nós”, afirmou o presidente.

Um dos pontos mais relevantes abordados foi a retomada das importações de banana do Equador pelo Brasil, em cumprimento a uma decisão judicial. A importação do produto havia sido restringida em 1997 devido a questões fitossanitárias, e, após um breve período de autorização em 2017, novas suspensões e disputas foram estabelecidas, inclusive com questionamentos do Equador à Organização Mundial do Comércio (OMC).

“Estamos dispostos a trabalhar por um comércio mais equilibrado, reduzindo barreiras a produtos equatorianos. Vamos começar cumprindo a decisão judicial que determinou a abertura do mercado brasileiro para a banana produzida pelo Equador. Iniciaremos pela banana desidratada e, até o fim do ano, concluiremos a análise e risco para a banana in natura”, disse Lula. O presidente também expressou a expectativa de que o governo equatoriano esteja atento aos produtos de interesse do Brasil, como a carne suína, e ressaltou a importância da atualização do acordo entre o Mercosul e o Equador.

Cooperação no Combate ao Crime Organizado

Além das questões comerciais, Lula abordou a cooperação entre os países no combate ao crime organizado, especialmente nas regiões amazônicas. O presidente anunciou a reabertura da adidância da Polícia Federal em Quito e mencionou treinamentos já realizados sobre investigação de crimes financeiros. Ele enfatizou a possibilidade de ampliar a colaboração em diversas áreas, desde ações para coibir atividades criminosas dentro de prisões até operações para reprimir o contrabando de armas.

Lula também defendeu a regulação das redes digitais e a responsabilização das grandes empresas de tecnologia, as chamadas big techs. Segundo o presidente, a falta de regulação representa uma ameaça constante às sociedades, permitindo a disseminação de discursos de ódio, violência e atentados contra a democracia. “Expus ao presidente Noboa a urgência com que o governo e a sociedade brasileira vêm procurando enfrentar a criminalidade na esfera digital. Nossas sociedades estarão sob constante ameaça sem regulação das big techs. Esse é o grande desafio contemporâneo de todos os Estados”, afirmou.

Acordos Firmados e Temas Abordados

Durante a visita oficial, foram assinados atos nas áreas de segurança alimentar, inteligência artificial e agricultura familiar. Um dos acordos prevê a cooperação técnica para a luta contra a fome e a pobreza, por meio da troca de experiências e conhecimentos entre os dois países. Outro memorando de entendimento estabelece a cooperação na área de inteligência artificial, com o objetivo de fortalecer a cooperação acadêmico-científica e a capacitação de profissionais.

Além disso, foi firmado um acordo para promover políticas públicas sobre agricultura familiar, desenvolvimento agropecuário e rural sustentáveis, transição agroecológica, circuitos curtos de comercialização, sistemas públicos de abastecimento de alimentos, aumento da produção da agricultura orgânica e redução das perdas e desperdícios.

Em 2024, a corrente de comércio entre Brasil e Equador alcançou US$ 1,1 bilhão, com exportações brasileiras da ordem de US$ 970 milhões. Os principais produtos exportados pelo Brasil para o Equador incluem veículos, máquinas, medicamentos e produtos das indústrias de papel e celulose. O fortalecimento das relações Brasil Equador, portanto, representa um passo importante para a integração regional e o desenvolvimento econômico de ambos os países.

Fonte Agencia Brasil

Cacerense

Compartilhe a postagem:

Postagens relacionadas

plugins premium WordPress
Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com