Pix Brasil EUA são o foco da resposta do governo brasileiro às acusações de práticas comerciais desleais feitas pelos Estados Unidos. O Brasil, através do Ministério das Relações Exteriores, enviou um documento de 91 páginas ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) negando qualquer discriminação contra empresas americanas e contestando a legitimidade da investigação iniciada a pedido do governo Trump. A defesa brasileira argumenta que não há base jurídica ou factual para as alegações.
O documento assinado pelo ministro Mauro Vieira foi divulgado na página da USTR e detalha a posição do Brasil em relação a temas como sistemas de pagamento digital (Pix), etanol, propriedade intelectual (pirataria) e desmatamento. O governo brasileiro reitera seu compromisso com práticas comerciais justas e transparentes, alinhadas às normas internacionais estabelecidas pela Organização Mundial do Comércio (OMC).
O governo brasileiro contesta as alegações apresentadas, buscando esclarecer as dúvidas levantadas e demonstrar que suas políticas econômicas e regulatórias são compatíveis com os padrões internacionais. A resposta aborda cada ponto da investigação, fornecendo dados e argumentos que refutam as acusações dos Estados Unidos.
O Sistema Pix e a Defesa Brasileira
Em relação ao sistema Pix Brasil EUA, a defesa brasileira enfatiza que a administração pelo Banco Central (BC) garante a neutralidade do sistema de pagamentos instantâneos. O documento destaca que outros Bancos Centrais, incluindo o Federal Reserve (Fed) dos Estados Unidos, estão testando ferramentas semelhantes.
A nota enviada ao USTR ressalta que diversos governos ao redor do mundo estão implementando infraestruturas para pagamentos eletrônicos instantâneos, incluindo a União Europeia e a Índia. O Federal Reserve dos Estados Unidos, em particular, introduziu o FedNow, um sistema com funcionalidades similares ao Pix Brasil EUA, o que demonstra a tendência global de modernização dos sistemas de pagamento.
Contestação da Base Jurídica
O Brasil argumenta que não existe fundamento legal ou factual que sustente as alegações dos EUA, mencionando que as medidas unilaterais previstas na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 dos Estados Unidos podem prejudicar o sistema de comércio multilateral e impactar negativamente as relações bilaterais. O Ministério das Relações Exteriores afirmou que a participação brasileira no processo se dá em espírito de diálogo e esclarecimento, sem reconhecer a validade ou jurisdição do procedimento.
A defesa brasileira destaca que a relação comercial com os Estados Unidos é mutuamente benéfica, com um histórico de superávit para a economia americana. O governo brasileiro enfatiza que suas políticas econômicas e regulatórias estão em conformidade com as normas da OMC, e que as reformas implementadas nos últimos anos visam alinhar-se às regras multilaterais, sem prejudicar a competitividade ou os interesses norte-americanos.
Combate à Pirataria e Propriedade Intelectual
Quanto à acusação de pirataria e violação da propriedade intelectual, o governo brasileiro assegura que mantém um regime legal abrangente e reforçado para proteger os direitos de propriedade intelectual. A defesa informa que o Brasil cumpre os padrões internacionais e mantém marcos regulatórios em linha com os acordos da OMC.
O Brasil também respondeu às questões relacionadas ao bloqueio de redes sociais e à suspensão de perfis determinadas pela Justiça brasileira. O governo brasileiro negou que decisões judiciais tenham resultado em medidas discriminatórias que prejudiquem o direito de companhias americanas de atuarem no Brasil ou de competirem em mercados globais, destacando que a imposição de multas e medidas coercitivas é um padrão do Estado de Direito adotado pelo Brasil, assim como ocorre nos Estados Unidos.
Etanol, Desmatamento e Aeronáutica
Em relação ao etanol, o Brasil defende que suas políticas estão alinhadas aos compromissos multilaterais, mantendo tarifas baixas sobre a importação de etanol como condição para fazer parte da OMC. Quanto ao desmatamento, o governo brasileiro assegura que suas ações ambientais não constituem restrições comerciais ou obstáculos à competitividade de empresas americanas.
Sobre produtos aeronáuticos, o Brasil destacou que aplica tarifa zero para os itens estadunidenses que entram no país, ressaltando que empresas brasileiras de aeronáutica têm gerado empregos nos Estados Unidos, demonstrando o benefício mútuo das relações comerciais.
Próximos Passos na Disputa
A resposta brasileira está agora sob análise do USTR, que realizará uma audiência pública em 3 de setembro, onde representantes de empresas, entidades e órgãos governamentais poderão apresentar seus argumentos. O desfecho da disputa permanece incerto, já que a decisão final caberá ao governo dos Estados Unidos.